-- A Sessão Coruja do texto abaixo me lembrou a música... --
Pro Dia Nascer Feliz
(Frejat e Cazuza)
Todo dia a insônia me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão é pretensão de quem fica
Escondido fazendo fita
Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora 'vão bora'
Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz (2x)
O mundo acordar e a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar e a gente dormir
Todo dia é dia e tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga uma hora aqui, a outra ali
No vai-e-vem dos teus quadris
Nadando contra a corrente só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu PIS pro dia nascer feliz (2x)
O mundo inteiro acordar e a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz (2x)
O mundo inteiro acordar e a gente dormir
Tudo em silêncio. Já faz mais ou menos uma hora que o Richard Widmarch venceu (de novo) os japoneses na sessão coruja. E a hora em que tenho as melhores conversas com você. Não que a gente não fale um com o outro durante o dia, mas, de madrugada, eu me sinto melhor, e, o que é mais importante, estamos aqui só nós dois. Pergunto como é que você vai, acho você mais bonita ainda que na noite passada, dou só uma pista de um presente secreto que vou conseguir pra você e passo tantas vezes os dedos na tua boca que você mal pode falar. Agora você botou os pés no meu colo e eu tô contando uma porção de mentiras, das pequenas, das que não magoam: não bebo mais, sigo a dieta rigorosamente e ando tranqüilo, tranqüilo. Juro. Digo prá você uns pedaços da Canção do Amor Imprevisto, do Mário Quintana: “Eu sou um homem fechado... Mas você apareceu com a boca fresca de madrugada, com teu passo leve, com esses cabelos... E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita... A súbita e dolorosa alegria de um espantalho inútil aonde viessem pousar os passarinhos”.
Você acha bacana e eu te dou o livro, com dedicatória e tudo. A dedicatória é assim:
esse livro conversou comigo nas horas mais noturnas da noite, naquelas horas em que não passam mais bondes e em que as estrelas apagam a luz e vão dormir. Isso foi antes de você aparecer. E um livro bonito, gentil e que, de vez em quando, me faz sofrer bastante. Eu gosto tanto desse livro que não quero demonstrar nenhum sinal de sofrimento. E um livro parecido com você.
Você sorri, fala baixinho que nem dá pra escutar e me olha bem nos olhos. Acho que ninguém sabe, mas essa é a tua maneira de agradecer. Acaricio devagar os teus cabelos e digo uma porção de frases, dessas que a gente ouve no cinema e faz coleção, feito titulo de fox-trote: não sei porque estou dizendo tudo isto... Por favor, não ria... Eu podia escrever um livro sobre nós dois... Nunca mais vou ser o mesmo... A mesma velha história...
E invento uns troços malucos; você mudou - igualzinho no blue, você mudou - e, pra esquecer, me alisto na Legião Estrangeira, me engajo na tripulação de um navio baleeiro, vou ser palhaço de circo... Até que um dia, o circo passa pela cidadezinha onde você mora. “O Maior Espetáculo da Terra! Você não pode me reconhecer nesses trajes e, além do mais, você já me esqueceu. Mas - arrá1 - eu não. O Amor dói tanto que o palhaço abandona o tambor colorido e a máquina fotográfica lambe-lambe, daquelas que explodem, e sobe até o lugar dos trapezistas. ~á um salto mortal, em meio aos risos, só pra você. Todo mundo, na saída, tem a mesma opinião: ficou doido!
Você fica triste e eu garanto que é só história. Não vai acontecer. Epa, pra quem é esse papo tranquilizador?
Me abraço contigo e te faço muito carinho, um carinho que vem da infância até hoje, em riso e desespero. Toca um despertador, canta um pardal, passa o padeiro. Faço cara de Richard Widmark suburbano para encarar a manha. Tá chegando a hora. Brinco de assustar meu coração: não falta de jeito nenhum, tá legal?
Você responde lá de mim: só falto se você me esquecer Então, tranqüilizo meu coração: não há perigo. Os elefantes jamais esquecem.
Falta pouco pra clarear. Ur. JekyII ainda está dormindo. Mr Hidde vai abrir outra cerveja e comemorar outra vitória passageira, No meu caso, o monstro e melhor que o médico. Tem levado umas cacetadas, como todo mundo de respeito, mas está vivo. O pessoal que joga pedra não sabe, mas os monstros são muito fiéis.
Nesses últimos instantes da madrugada é que acontecem os milagres. Está nevando em Vila Isabel e dá pra escutar um piano tocando uma valsa de Nazareth. Você me pede, antes de ir embora, pra contar a história dos Três Príncipes com Estrelas de Ouro na Testa. E, como sempre, dorme antes daquela parte do banquete recheado com pérolas. Pela expressão do teu rosto, você está sonhando. E é um belo sonho. Acompanho, cheio de assombro, as transformações do teu rosto. Nessas horas, eu não preciso dormir pra sonhar. Estamos, de repente, num bar, e é muito tarde. As cadeiras já foram viradas sobre quase todas as mesas e as luzes são poucas. O dono do bar é meu chapa e tem a cara daquele italiano da Dama e o Vagabundo. Antes da gente sair, te dou um verso escrito num guardanapo. Hoje, você vai embora de trem. Te levo na estação, ou melhor, na gare (eu sempre quis usar essa palavra!), e você só embarca no último instante, com a máquina começando a andar. O chefe da estação, acostumado a infinitas despedidas, balança a lanterna, apita de novo, faz um comercial de cigarro, e avisa: vai partir! Acendo o cigarro que não satisfaz e fico vendo as luzes diminuindo. Me sinto o próprio Humphrey Bogart. Levanto a garota do sobretudo (tá um frio danado) e vou tomar um conhaque onde nos encontramos pela primeira vez em Viena, em Paris, ou em Vila Isabel, ou nos remos da China e do Japao. Nesse momento, eu sou capaz de tudo. Se eu disser o teu nome de maneira certa, prolongo a madrugada e a esperança.
Mas tem que ser amanhã. Amanheceu. Me sinto velho de novo e quem passa me olha de uma forma entre a descrença e a ironia, como se eu fosse um lampião ridículo que teimasse em permanecer aceso pra implicar com o dia.
A — Primeira letra do alfabeto. A segunda é “L”, a terceira é “F” e a quarta é “A” de novo.AH — Interjeição. Usada para indicar espanto, admiração, medo. Curiosamente, também são as inicias de Alfred Hitchcock.
AHN? — O quê? Hein? Sério? Repete que eu sou halterofilista.
AI — Interjeição. Denota dor, apreensão ou êxtase, como em “Ai que bom, ai que bom”. Arcaico: Ato Institucional.
AI, AI — Expressão satírica, de troça. O mesmo que “Como nós estamos sensíveis hoje, hein, Juvenal?”
AI, AI, AI — Expressão de mau pressentimento, de que em boa coisa isto não pode dar, de olhem lá o que vocês vão fazer, gente.
AI, AI, AI, AI, AI — O mesmo que “Ai, ai, ai”, mas com mais dados sobre a gravidade da situação. Geralmente precede uma reprimenda ou uma fuga.
B — Primeira letra de Bach, Beethoven, Brahms, Bela Bartok, Brecht, Becket, Borges e Bergman mas também de Bigorrilho, o que destrói qualquer tese.
BB — Banco do Brasil, Brigitte Bardot, coisas desse tipo.
BELELÉU — Lugar de localização indefinida. Em alguns mapas fica além das Cucuias, em outros faz fronteira com Cafundó do Judas e Raio Que os Parta do Norte. Beleléu tem algumas características estranhas. Nenhum dos seus matos tem cachorro, todas as suas vacas estão no brejo — e todos os seus economistas são brasileiros.
C — Uma das letras mais populares. Sem ela não haveria carnaval, caipirinha, cafuné e crédito e a coisa seria bem mais complicada.
CÁ — Advérbio. Quer dizer “aqui no Brasil”. Também é o nome da letra K, de kafkiano, que também quer dizer “aqui no Brasil”.
CÊ — Diminutivo de “você”, como em “cê soube?” ou “cês me pagam”. Também se usa “cezinho” mas em casos muito particulares, a sós e com a luz apagada.
CO — “O outro”. Como em co-piloto (o outro piloto), coadjuvante (não o adjuvante principal, o outro) e coabitação (morar com a “outra”).
CÓ — O singular de “cós”, como em “cós das calças”, que até hoje ninguém descobriu o que são.
DE — Prefixo que significa o contrário, o avesso. Como em “decúbito”, ou com o cúbito para cima.
E — Conjunção. Importantíssima. Sem o E, muitas frases ficariam ininteligíveis, dificultando a comunicação entre as pessoas. Em compensação, não existiriam as duplas caipiras.
E? — E daí? Continue! Qual é a conclusão? Qual é o sentido dessa história? Onde você quer chegar, pombas? Vamos, fale, desembuche.
É — Afirmativa, confirmação, concordância. Também usado na forma reflexiva (“Pois é”), na forma interrogativa (“É?”), na forma reflexiva interrogativa (“Né?”) e na forma interrogativa retórico-histriônica reflexiva (“Ah, é?”).
É... — Com reticências, o mesmo que “Pois é”, mas como expressão de desânimo ou resignação filosófica , muito usado por torcedores do Botafogo e em comentários sobre o Ministério do Lula.
F — Antigamente, escrevia-se “ephe”.
GHIJKLMNOPQRSTUV — Letras que precedem o W, o X e o Z e sem as quais nenhum alfabeto estaria completo
W — De “Wellington” ou “Washington”. Só é mantida no alfabeto brasileiro para ser usada em nomes de jogadores de futebol, que têm exclusividade.
Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido, onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem passa por eles indiferente.
22/11/2002 - 10h39
Cientista de 50 anos tem o pênis queimado por um laptop
da Folha Online
Parece que os laptops andam esquentando mais do que se imagina. Um cientista de 50 anos --até então saudável-- queimou seu pênis depois de trabalhar com o laptop no colo por cerca de uma hora. E ele estava vestido com calça e roupa íntima, segundo nota publicada no Lancet, o jornal de medicina mais conceituado do Reino Unido.
Segundo ele, assim que sentiu o calor e uma sensação de queima, o cientista teria tirado o computador do colo e tudo ficou bem. Mas dois dias depois do ocorrido, o cientista notou um edema e inchaço no local.
Embora o modelo do laptop não tenha sido divulgado, tudo leva a crer que se tratava de um Dell Latitude. O The Register.com chegou a essa conclusão depois de fazer uma busca no Google pelo texto de "precaução" que, segundo o usuário queimado, acompanhava o notebook.
O alerta dizia, em inglês, "não coloque a base do seu computador portátil diretamente sobre a pele. Com o uso prolongado, a base alcança altas temperaturas. O contato direto com a pele pode causar desconforto ou, eventualmente, queimaduras".
Ao fazer a busca por esse site, o The Register.com encontrou um texto de precaução idêntico no "Manual do usuário" do Dell Latitude, no site da Dell. Para ler o manual de segurança do notebook, clique aqui.
-- ih. o botafogo vai ser mesmo rebaixado...
-- é???? vai virar caxias?
-- caxias?!
-- de botafogo vai passar a ser Caxias, Belford Roxo?
-- não! eu não disse que o Botafogo ia ser Baixada, eu disse que o Botafogo foi rebaixado.
-- se foi rebaixado, vai virar caxias! :)))))))))))
"... por favor, me concedam esse instante de suspensao do pessimismo
me deixem o delirio desse exato momento
nao me interrompam nesse grito desengasgado
nao me segurem pelo braco enquanto danco nas ruas
nem me lembrem da bancarrota enquanto sacudo os meus trapos..."
Boca-de-urna do Ibope: Lula é o novo presidente com 63% dos votos válidos
RIO - Pesquisa de boca-de-urna no Ibope que acaba de ser divulgada pela Rede Globo dá 63% dos votos válidos para o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato do PSDB, José Serra, terá 37% dos votos. Com isso, Lula deve ser eleito o novo presidente do Brasil. O Ibope entrevistou 52 mil eleitores em todo o país.
Lula lá!
Há muito espero e luto por isso.
Não é um voto de protesto, é um voto de confiança.
De esperança.
De vislumbrar o resgate do ser humano, em toda sua potencialidade.
Em toda sua solidariedade.
Ser petista é, mais que ser xiita, é ser purista.
É não perder a capacidade que os jovens têm de querer um mundo melhor.
E não só para si.
Valeu a pena e mais valerá.
"Mas o Brasil é um país de miseráveis.
Lula entende de miséria. E, se nada conseguir fazer, esse
torneiro-mecânico tem, pelo menos, olhos de chorar."
Cecílio Elias Neto
Lula faz pronunciamento para tentar neutralizar o de Serra
RIO - O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, fez esta noite um pronunciamento durante praticamente todo seu programa eleitoral na TV buscando neutralizar o anunciado discurso que seu adversário, José Serra, faria logo em seguida.
O programa petista começou abordando a reunião que Lula teve com os representantes dos principais setores da economia para discutir e planejar o retorno do crescimento econômico e a melhora da condição social do país. Lula reuniu industriais, representantes do setor financeiro, sindicalistas, banqueiros e empresários em geral, que apoiaram a iniciativa do candidato.
Durante seu pronunciamento, Lula frisou a importância das eleições do dia 27 e afirmou que o povo não quer mais errar:
- É sempre o mais fraco que arca com a maior fatia do sacrifício - disse o petista, pedindo atenção especial do eleitor, antes de traçar um breve panorama da situação econômica do país.
- Estamos diante de uma crise séria, que não é nova. Ela foi agravada depois de oito anos de uma política equivocada, com um governo que vendeu 76% do patrimônio do Brasil com as absurdas privatizações - continuou Lula.
O petista lembrou também o crescimento da dívida pública nos últimos oito anos, de R$ 152 bilhões para R$ 861 bilhões. Lula disse ainda que a dívida "é uma grande bola de neve, em que pagamos empréstimos antigos com novos empréstimos".
- É por isso que falta dinheiro para os programas sociais - afirmou.
Lula disse ainda que "não duvida das boas intenções do presidente", mas alertou que não pode permitir que "sua equipe econômica e seu candidato tentem fugir da responsabilidade de seus erros", se referindo aos 12 milhões de desempregados do Brasil.
- É inaceitável a tática do candidato do governo, que tenta, na última semana antes das eleições, amedrontar o povo brasileiro de forma absolutamente irresponsável - disse o petista.
Lula comentou as afirmações de Serra, que "diz saber como resolver todos os problemas do Brasil".
- É de se perguntar se ele sabe como resolver a crise, porque não fez isso antes? - criticou Lula, acrescentando que Serra foi um dos homens mais fortes do governo FH e mesmo assim não fez o que promete agora.
O petista afirmou que "está preparado para enfrentar e vencer essa crise" e vai precisar da ajuda de todos os brasileiros. Segundo ele, sua equipe está trabalhando junto com empresários e sindicalistas "estudando fórmulas para que o país volte a crescer no mais curto espaço de tempo".
- Mais do que nunca será preciso fazer um pacto pelo país. Se houver sacrifícios, será feito por todos. E quando houver benefícios, será repartido por todos - finalizou Lula, acrescentando que se tornou um homem paciente e de diálogo, reafirmando que "seu governo será um governo de paz, caso seja eleito".
-- Eu também tenho medo --
(a propósito da declaração de Regina Duarte na propaganda eleitoral gratuita de José Serra)
Eu, cidadã comum, sem espaço na mídia ou projeção nacional, confesso: tenho medo.
Medo de que as coisas continuem como estão;
medo de que os funcionários públicos continuem sem reajuste salarial por mais 4 anos;
de que minhas filhas, quase formandas, não encontrem espaço no mercado de trabalho e só vislumbrem possibilidades de especializações fora do Brasil;
que minha mãe, aos 75 anos, continue a depender do falido sistema de saúde pública;
que outros idosos, como ela, continuem a perceber só 1 salário mínimo de aposentadoria, depois de mais de 30 anos de contribuições à Previdência Social;
que meus sobrinhos tenham de cursar um ensino público sucateado;
que a comida continue faltando na mesa de milhões de brasileiros, se mesa inda houver;
que eu não consiga mais ver crianças na rua, só possíveis/prováveis/futuros delinqüentes;
que o verão que se aproxima traga mais mortes pelo dengue.
Tenho medo, muitos medos.
Mas o medo maior é que, com o continuísmo, eu só perceba a desesperança nos olhos do meu semelhante.
Ou, pior que a desesperança, a indiferença.
Ivy Wyler
15/out/2002
12.Out.2002 | O dia em que o dólar bateu nos R$ 4,00 lembrou aquele outro em que o tráfico de drogas fechou o Rio de Janeiro. Ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo, mas percebia-se a gravidade da coisa diante da impotência do poder constituído para enfrentar o desconhecido.
Quem mandou o dólar subir ou o comércio descer as portas? Não se está aqui insinuando que uma coisa tenha a ver com a outra, mas há, evidentemente, um certo grau de parentesco entre os dois fenômenos. A especulação, como se sabe, é prima-irmã do boato – ambos não têm pai nem mãe.
A tal “crise de confiança” alegada por Armínio Fraga para justificar a disparada da moeda americana na quinta-feira, 9 de outubro, serviria, de forma até mais apropriada, para explicar a histeria dos comerciantes cariocas naquele fatídico 30 de setembro.
Da mesma forma, ainda que uma kombi branca com quatro negões a bordo tenha passado pela Avenida Paulista fazendo sinais para o dólar subir, não se justifica a obediência do mercado, acostumado a lidar com bandidos bem mais sofisticados, gente que anda de BMW e só admite um negro no carro preto, o motorista.
Essa conversa de culpar o Lula pela alta do dólar é tão mal contada quanto a tentativa de creditar a São Fernandinho Beira-Mar o feriado carioca fora de época. De tão loucas, as hipóteses poderiam ser invertidas: o comércio por causa das pesquisas eleitorais e o dólar subiu a mando do crime organizado. O povo acreditaria da mesma forma.
O povo acredita em tudo. Morre de medo do mercado e do crime organizado, sem nenhuma razão lógica para isso. O que pode contra a sociedade um bando de bandidos barrigudos na cadeia? Até que ponto a alta do dólar pode nos ferir de morte?
Pode ser que com todos esses pés-rapados presos e o dólar enlouquecido acabe faltando cocaína no mercado e a classe média nunca mais possa visitar a droga da Disneyworld. Pode ser, também, que os cínicos que apostam suas economias em moeda americana (sob o colchão ou em aplicações de risco cambial), acabem deixando o país declarando que não dá mais para viver no Brasil. Pode ser, ainda, que o povo não tenha mais condições de comer pão e macarrão por conta da cotação do saco de farinha importado.
Danem-se, em especial, os títulos da dívida pública corrigidos em dólar. Isso é problema de governo. Lula ou Serra, cada um mais preparado que o outro, como se anunciam, saberão decerto lidar com isso. A sociedade precisa reagir, deixar de ser refém do mal imponderável. Quem sabe, no melhor estilo cubano, com um enorme out-door desafiador fincado nas areias de Copacabana: “Senhores traficantes e especuladores do dólar, não temos nenhum medo de vocês.”
-- pois é...--
Outro dia as meninas da turma ficaram apavoradas pq, numa das aulas em que as turmas se juntam, alguém do curso de Pedagogia escrevera inspírito.
Hoje, na aula de Fonética eu decifrei o mistério!
Inspírito é um espírito cheio de ar!
:))))
Legítima representante da vazão escolar de dona Rosângela Matheus.
-- aí...-- a gente tinha entrado numa loja de conveniências eróticas...
sério! é esse nome mesmo!
eu só fiz acompanhar as duas, depois de ter explicado que mulheres são as
que mais freqüentam e compram em lojas desse tipo....
À saída da loja, o balconista ofereceu como brinde-propaganda o que a falta
de óculos sugeriu fosse uma régua, imediatamente colocada na bolsa para ser
analisada depois. Isso é praxe com qualquer papel ou material de propaganda
recebido pelas esquinas da vida.
Na volta pra casa, de ônibus, uma delas, remexendo em sua própria bolsa acha
a suposta "régua". Na verdade era um "pintômetro", nome esse escrito em
letras garrafais. Tinha uma escala em centímetros e a interpretação
correspondente.
-- Não vou chegar com isso em casa! Imagina se alguém vê isso!
Ao que eu retruquei, baixinho:
-- Ah, é, né? O pessoal de casa não pode ver, mas o do ônibus sim?
O "pintômetro" voltou rapidinho pra bolsa.
:))))
-- imitando o Sérvio --
(respondendo aos comentários via post) :)
sarah: eu não vi banner algum. Deve ser um feitiço que eu coloquei na página... ele detecta qdo entra alguém q tem costume de adulterar os posts em seus respectivos blogs, sabe? e sai atrás, assombrando esse tipo de pessoas :))))))
---
dona Li: eu li q a Telemar vai ser obrigada a fornecer informações detalhadas sobre ligações telefônicas a quem assim requisitar... quem sabe assim eu volto a postar com mais regularidade? :)))
Beijos
Este golpe está sendo aplicado em vários shoppings. Um primo de um amigo,
passeava pelo Shopping, quando foi abordado por duas maravilhosas loiras,
na faixa dos 20 anos, queimadíssimas de sol, ambas trajando vestidinhos
Versace, curtos e semi-transparentes, extremamente decotados. As moças se
apresentaram como representantes de uma multinacional de cosméticos e
convidaram o rapaz para participar de uma pesquisa. Sem desconfiar de nada,
o rapaz aceitou.
Elas então o levaram até a porta principal do shopping, onde uma limusine os
aguardava. Elas disseram que a pesquisa seria feita em outro local, mais
tranqüilo. Levaram então o inocente rapaz para uma enorme mansão. Lá
chegando, foram recebidos por duas morenas maravilhosas, queimadíssimas de
sol, também trajando vestidinhos Versace, curtos e transparentes,
extremamente decotados. Estas moças ofereceram ao rapaz o que parecia ser
um refrigerante, numa taça de cristal, e o encaminharam para um dos quartos
da casa, onde seria feita a pesquisa. O quarto tinha uma cama king-size e
foi ali que seu pesadelo começou. De repente, as quatro moças deixaram cair
seus minúsculos vestidinhos Versace e, totalmente nuas, pularam em cima do
rapaz, rasgando toda sua roupa. Ele tentou reagir, mas aquele líquido,
supostamente um refrigerante, o tinha deixado zonzo. Entre os lençóis
brancos de cetim, o rapaz foi usado sexualmente pelas quatro meninas. Mas, o
pesadelo estava apenas começando.
Elas o levaram para uma enorme banheira de hidromassagem, onde as sevícias
recomeçaram.
Depois, foi arrastado para um enorme salão de jogos, onde elas abusaram dele
sobre uma enorme mesa de sinuca. Na cozinha, teve seu corpo completamente
lambuzado de licor Amarula. Uma após outra, aquelas quatro "abelhas"
ninfomaníacas o atacaram, sem trégua, lambendo cada centímetro do seu corpo.
Quando percebiam que o rapaz recobrava sua consciência, elas o faziam beber
mais aquele misterioso líquido, e continuavam a usar e abusar.. No final da
tarde, completamente exaurido, ele não mais reagia aos ataques. Elas o
arrastaram então para fora da enorme mansão, e o jogaram dentro de um enorme
jeep Land Rover. Enquanto estava sendo arrastado, pode ver o rótulo da
garrafa do líquido misterioso e, pasme, o suposto licor era na verdade:
CHAMPANHE FRANCÊS VEUVE-CLIQUOT !!! Minutos depois, o jeep deixou o rapaz
numa praça, perto de sua casa. Arrasado, completamente sem forças, ele se
arrastou pelas ruas do bairro, até atingir a segurança do lar, onde sua
amada esposa o aguardava. O rapaz chorava convulsivamente. Ele se sentia
envergonhado, e arrasado, mas pelo menos estava vivo e de volta ao lar.
Lembrou-se então que só suportou toda aquela barbárie porque, durante os
momentos mais difíceis, só tinha na cabeça a imagem de sua adorada esposa,
como a vira pela manhã: vestindo aquele velho baby doll das lojas Marisa, os
seios murchos transparecendo através da camiseta, das pernas cheias de
varizes (que ele
dizia, carinhosamente, serem o "mapa do amor", da delicadeza dos seus 85
quilos, bem distribuídos em seus 1,56 m de altura. Pequena grande mulher!
Portanto, cuidado com mais esse golpe! Mulheres contem esta história para
seus maridos. Pois, se forem avisados a tempo, eles nunca aceitarão o
convite dessas pessoas malvadas !!!!!!!!
Você conhece alguém, e fica sabendo que essa pessoa é de Minas. A primeira
coisa que vc diz é (tentando imitar um sotaque): "Mineirim? Uai, sô!".
Você é babaca.
Almoço em grupo. Mesa retangular. Um de seus colegas, o Renato, se senta
numa das pontas da mesa. A primeira coisa que você diz é O Renato vai pagar
a conta!".
Você é babaca.
Início da madrugada. 1h16 AM. Alguém lhe diz."Cara, amanhã vou acordar às
7h". Você se apressa em dizer "Amanhã não. Hoje!"
Você é babaca.
Seu colega chegou mais tarde no trabalho pois resolveu almoçar em casa ou
num lugar que serve uma refeição melhor do que a porcaria do bandejão do seu
emprego. Quando ele chega ao local de trabalho, você o convida para almoçar
e ele lhe esclarece que já almoçou. É quando você, ágil como um sapo
apanhando uma mosca, solta a frase "Então, você já veio comido?"
Você é babaca.
Ou pior o seu amigo chega atrasado no serviço e diz sorrindo: "Bom Dia!!!!!"
e você responde "Boa Tarde!!!!!"
Você é babaca.
Quando as pessoas estão cantando parabéns, você tenta embolar a cantoria,
gritando os versos do início da música, enquanto todos já estão no meio da
canção.
Você é babaca.
Você fica rindo quando um homem diz que tem 24 anos, aludindo ao número do
veado no jogo do bicho.
Você é babaca.
Você faz alguma piada quando alguém diz que é do signo de virgem.
Você é babaca.
Você diz para um amigo: "Se esconda!!" quando passa o carro da polícia.
Você é babaca.
Quando uma mulher diz que está "de saco cheio", você diz que isso não é
possível porque ela não tem saco.
Você é babaca.
Quando um cara fala que é de Porto Alegre você logo diz: "Gaúcho macho tchê,
é tudo viado."
Você é Babaca
Quando alguém te pergunta se deu para resolver aquele problema, vc
prontamente responde. "Resolvi sem dar"
Você é babaca.
E se ao final desse e-mail vc estiver rindo de todas as situações acima,
quer dizer q vc já as fez!!
VOCÊ É COMPLETAMENTE BABACA!
Onze pessoas estavam penduradas em uma corda num helicóptero.
Eram dez homens e uma mulher.
Como a corda não era forte o suficiente para segurar todos e para
evitar a queda de todos eles, decidiram que um deles teria que se soltar
da corda.
Eles não conseguiram decidir quem até que, finalmente, a mulher disse
que se soltaria da corda pois as mulheres estão acostumadas a largar de
tudo pelos seus filhos e seu marido, dando tudo aos homens e recebendo nada
em volta. Quando ela terminou, todos os homens começaram a bater palma....
Nunca subestime o poder de uma mulher......
--
A propósito da notícia abaixo, veio um mail assim:
"isso não é nada prescisa ver a gracinha de vaca
transgenica do McDonalds, sem ossos, alimentada
atraves de tubos ligados diretamente no estomago,sem
falar do KCF o frango usado pela rede de fast-food que
já nasce sem bicos,penas,nem patas. eu até mandei a um
tempo atraz um texto sobre o assunto chamado
"simplesmente um nojo".
>> Onde entram, então, as propaladas minhocas??
:)))
Desde o ano passado temos realizado uma série de testes em diversos produtos de muitas empresas para saber se elas estão cumprindo a legislação brasileira quanto à não-utilização de transgênicos em seus produtos. Em junho deste ano iniciamos um grande trabalho de conscientização junto a população com o lançamento do Guia de Consumidores, listando produtos com ou sem transgênicos comercializados no país, onde as empresas tiveram a oportunidade de declarar publicamente a sua conduta para garantir aos consumidores que não utilizam transgênicos em sua produção. Até agora a Perdigão foi a empresa que apresentou maior número de produtos comprovadamente contaminados com transgênicos. A Mortadella Bollognella, testada em março deste ano, apresentou 12% de soja transgênica, a maior quantidade já encontrada em um teste encomendado pelo Greenpeace no Brasil. Ativistas do Greenpeace foram esta semana à sede da Perdigão, em São Paulo, comunicar o resultado de um novo teste realizado pelo laboratório chinês DNA Chips (considerado o melhor do mundo) que encontrou soja transgênica em três produtos da empresa: Lanche Chester, Hamburguer de Frango e Almôndegas de Carne.
Graças a sua ajuda enviando cartas e e-mails, grandes empresas como a Unilever (dona da marca Knorr) e a Nissin (Cup Noodles) mudaram sua política com relação ao uso deste tipo de alimento no país. Você pode fazer a diferença por esta campanha mais uma vez, pedindo à Perdigão para mudar de posição e passar a respeitar o seu direito garantido por lei de consumir produtos livres de transgênicos. Estamos organizando uma grande mobilização nacional para o dia 15 de agosto, para mostrar à Perdigão que não queremos mais transgênicos em seus produtos, ligando e mandando cartas para a empresa. Passe este e-mail para seus amigos convidando-os a participarem destas ações neste dia.
A soja transgênica leva ao aumento do uso de agrotóxicos e pode causar a perda de biodiversidade. Além disso, ainda não existe um consenso dentro da comunidade científica de que os transgênicos sejam seguros para o consumo humano.
Embora o plantio, a comercialização e a importação de transgênicos estejam proibidos no Brasil por uma sentença judicial, a omissão do governo federal em realizar qualquer tipo de controle e fiscalização tornam a contaminação de transgênicos no país um fato. "Devido à existência de plantios ilegais, somente as indústrias de alimento que adotam medidas de controle podem evitar a utilização de transgênicos em seus produtos", explica Tatiana de Carvalho, assessora da Campanha de Engenharia Genética.
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O Que Você Pode Fazer
15 de agosto : Faça a Perdigão mudar de posição!
Neste dia ligue e escreva para o Serviço de Atendimento ao consumidor da Perdigão pedindo que a empresa pare de utilizar transgênicos em seus produtos.
O telefone da central de atendimento da empresa é: 0800 117 782
O e-mail da central de atendimento da empresa é: sac@perdigao.com.br
Que país é esse em que dez milhões de pessoas, na mesma semana em que o dólar bate nos R$ 3, vão até o telefone, esperam linha, discam dez números, esperam completar a conexão, ouvem uma gravação boba de agradecimento e imediatamente, merecidamente, são taxadas em R$ 0,25 por tamanha idiotice?
Que país é esse com dez milhões de pessoas sem nada melhor para fazer, nem mesmo sexo conjugal, nem mesmo um livro de auto-ajuda, nem mesmo dormir, do que se colocarem à disposição, até meia-noite de uma terça-feira fria, de um ritual tão deletério para decidir quem fica com os R$ 500 mil do Big Brother Brasil?
Que país é esse em que dez milhões de pessoas, no mesmo dia em que a ONU colocou o Brasil atrás do Paraguai, Colômbia e Venezuela num ranking de pobreza, estão principalmente interessadas em decidir se gostam mais da 'universotária' que não sabe o dia da Proclamação da República ou do 'caubobo' que desconhece o Dia da Independência?
É uma desgraça, tão alarmante quanto a de que já chega a 20 milhões o número de pessoas no país sobrevivendo com menos de R$ 3 por dia, ter à disposição uma equipe de profissionais capaz de fazer as edições geniais de terça-feira e, no entanto, deixá-la debruçada sobre um projeto que não melhora nada em nada a vida de ninguém – a não ser o estúpido da vez que carrega os R$ 500 mil.
Novamente, como da série passada com Bambam e Vanessa, chegam à final do Big Brother os candidatos com mais dificuldade de verbalizar seus ideais, sentimentos e complexidades; jovens filhos da televisão incapazes de completar um pensamento sem começar a gritar vogais – "aaaaaaaêêêêêêê"!, "uuuuuuuuuuuuú" – como se fossem os últimos remanescentes da tribo do saudoso cacique Juruna, que nos deixou recentemente. Os silêncios que se seguiam aos vagidos eram constrangedores. Quem votava de casa também não precisava falar. E assim, de grão em grão, da escola ruim ao programa ruim, passando pela tecnologia de última geração, vai se perdendo a língua e tudo o que Fernando Pessoa/Caetano Veloso queriam dizer com "minha pátria é minha língua".
O caubói Rodrigo, com meio neurônio a mais do que o Bambam da vez passada, ganhou o prêmio. Ele colocou uma imagem de Nossa Senhora dentro do chapéu e, com cada beijo que dava no papelzinho santo, ia recolhendo os votos do Brasil católico. No outro canto do ringue, Manuela, tão impenetrável – Thyrso que o diga pelo lado físico e os espectadores pelo lado do conhecimento intelectual – quanto a modelo Vanessa da vez passada, levou R$ 30 mil. Sua estratégia, já que não parece muito católica, era beijar o bonitinho do programa e simular para o Brasil-família que daqueles amassos poderia sair uma.
A televisão conseguiu mais uma vez reunir na final essas suas duas grandes platéias, a do Brasil rural, representada pelo vaqueiro de calças apertadas, e o Brasil urbano da carioquinha de umbigo sempre de fora. Poderia ser um grande e curioso choque de culturas, não fossem todos filhos da mesma cultura sem pátria do Xô da Xuxa e do Show da Malhação. Foi-se embora também o culto das diferenças regionais. O peão e a gatinha, típicos representantes da geração uga-uga, ficaram iguais em sua sensaboria apática – e só os muito tolos não percebem que um BBB desses é mais um indicador precioso, embora ainda não requisitado pela ONU, para medir o índice de pobreza de um país.
Ando preocupada.
Será que todos os eleitores de Lula resolveram seguir o conselho de não declarar suas preferências aos institutos de pesquisa?
Tenho uma fé que diria quase inabalável no ser humano.
Esse quase fica por conta desses períodos eleitorais.
Por causa do eleitores, bem entendido.
Que continuam a se deixarem manipular, sempre e sempre.
"Será que essa minha retórica terá que se ouvir por mail zil anos?"
Consta que o banqueiro Olavo Setúbal, em conversa com Ciro Gomes, teria dito que não tem medo de Lula. "Porque, se eleito, o Lula não vai fazer nada. Eu tenho medo é de você." Todos concordam que Olavo Setúbal sabe o que diz. Sua perspicácia mercadológica foi posta à prova muitas e muitas vezes, sempre com sucesso. O receio manifesto por alguém nessas condições deve ser ouvido como um vaticínio. Poderá cumprir-se ou não, mas é bom levá-lo em conta. O poder de arranque de Ciro nas pesquisas começa a assustar o eleitorado de cabeça fria.
Para quem não morre de amores por Ciro Gomes, a primeira cautela, ao opinar sobre ele, será a de não desqualificá-lo sumariamente. Para manter a isenção forçoso é reconhecer suas qualidades de homem público. Ciro irradia o charme discreto do líder providencial, o salvador da Pátria em perigo. Ele é enérgico, dotado de senso de autoridade, rara hoje em dia; sabe mandar e nada consta quanto à sua honestidade. Em sua alma vibram sincero patriotismo e forte idealismo, dos quais não se envergonha.
A trajetória do político cearense comprova sobejamente esse perfil, confirmando seu pulso executivo. Ao assumir a prefeitura de Fortaleza, limpou a cidade de toneladas de lixo acumulado nas praias e nas ruas e saneou as finanças, voltando a pagar os salários do funcionalismo, repondo as parcelas atrasadas. Como governador, desenvolveu atuação também saneadora e empreendedora, entregando o Estado em boas condições ao sucessor. Gosta de falar, tem o dom da oralidade, boa cabeça e argumentação aliciadora, o que explica seu sucesso na televisão. Em suma, Ciro Gomes exibe liderança à flor da pele, e sua postura física retesada é a de um puro-sangue da política, um executivo nato, cheio de vitalidade, dinamismo, coragem e determinação.
Depois desse retrato, que poderia passar pela imagem do político ideal, é o caso de indagar: onde está o defeito de Ciro? Existirá no candidato do Felipão, de ACM e de Bornhausen, tão bem-dotado, algum ponto fraco ou duvidoso, que possa comprometer tamanha soma de qualidades? Não há dúvida que o ponto fraco existe, e está bem à vista de todos. É o seguinte: Ciro, nos bastidores de sua magnífica fachada de carisma e eficácia, sofre contradições terríveis, que ele não sabe administrar harmoniosamente e entram em curto-circuito, eclodindo em explosões inesperadas, de efeito incalculável. Ciro é material perigosamente inflamável, uma caldeira de alta pressão sem válvulas de escape, e suas explosões atingem vários níveis:
podem ser estampidos verbais, xingamentos grosseiros, insultos torpes e pesados; estouros voluntaristas, manifestos em atos e decisões precipitados e impulsivos, que podem não ter volta nem correção possível; rupturas políticas abruptas com os aliados do passado e aliança com os ex-inimigos; estalos ideológicos detonados no gosto do confronto aberto com a ortodoxia, a moderação, e na tendência incoercível para o extremismo e o exibicionismo.
Contradições todos nós as temos; a questão é querer administrá-las de modo a desarmá-las, o que nem todos querem. A contradição básica e primária de Ciro, da qual ele é incapaz de livrar-se, remonta às suas origens políticas.
Sua família, os Gomes de Sobral, integram uma poderosa oligarquia pesando há mais de cem anos na região. Seu bisavô e seu pai foram prefeitos de Sobral e o atual prefeito é seu irmão, Cid. Representante da fina flor da oligarquia nordestina, como conciliá-la com o ideal apregoado de um político democrata, moderno e progressista, sobretudo num temperamento sentimental como Ciro, agarrado aos manes da família e do meio em que foi criado? A genética do caciquismo não entra em conflito com a cartilha da igualdade e das mudanças sociais? Na linha dessa mesma contradição, Ciro entrou na política pela porta suspeita do PDS, partido gestado pela Arena, agremiação que dava sustentação à ditadura militar. Ele mesmo reconhece: "É uma mancha na minha vida, que assumo, não sem um trauma pessoal" (Veja, ed. 1760). Aí está: os traumas pessoais do candidato, que são muitos e continuados, resolvem-se em explosões absurdas, irracionais, que abalam todo um castelo imaginário de boas intenções.
Uma coisa é a pessoa dada a instabilidades eventuais e muitíssimo outra é o indivíduo movido continuamente a explosões, como Ciro Gomes. A imprevisibilidade é a nota constante e inquietante de sua conduta, traço que o aproxima, para seu desgosto, de dois presidentes que não deram certo devido ao excesso de "independência": Jânio Quadros e Fernando Collor. Como confiar num governante sujeito a rompantes, que desfaz com os pés o que construiu com as mãos? Ciro chama a política para o campo pessoal, em vez de fazer o contrário, consagrando seu ego desmesurado à tarefa impessoal de promoção do bem público pautado na lei e no Estado de Direito, e não nos destemperos, nos caprichos e nas vontades de um temperamento de prima-donna.
E que pensar do apoio do PFL? O presidenciável diz-se "constrangido", mas aceita a aliança proibida. Mais uma contradição, mais uma explosão iminente.
E que dizer de seu guru ideológico, a extravagante figura do professor Roberto Mangabeira Unger, que lembra um personagem fugido daquele conto de Poe, "O sistema do dr. Abreu e do prof. Pena"? Não se trata de nenhuma nulidade, mas de um intelectual engenhoso, embora de aparência meio lunática, que reclama para o Brasil "projetos fortes" (Folha de S.Paulo, 16/7). "Projetos fortes" é o eufemismo para o populismo e o estatismo desse ex-correligionário de Leonel de Moura Brizola, com verniz de Harvard e tinturas acadêmicas. Estatismo e populismo que encontram terreno fértil num candidato inflado de soberba, que se pretende acima de tudo e de todos, talvez até dos partidos e das instituições.
Gilberto de Mello Kujawski, licenciado em Filosofia, é autor, entre outros, do ensaio Idéia do Brasil - A Arquitetura Imperfeita (Senac) E-mail: gmkuj@ig.com.br
A volta de Eudora Light
(Miniconto sujeito à Internet com personagens soft)
Victor Giudice
Eudora Light não se sentia feliz casada com Word Seis porque o considerava um Ponto Zero. Um dia, viu uma Photo Deluxe de Aldus Pagemaker e ficou apaixonada. Saiu pela primeira Windows que encontrou aberta e Netscaped com ele. Acontece que o Trumpet Winsock de Page não tocava. Decepcionada, Eudora aceitou uma proposta de Microsoft foram morar em Control Panel. Lá, abriram uma Photoshop para ganhar a vida. Porém, com o nascimento de Corel Draw, esvaziaram o File Manager.
Quando a notícia foi publicada no Printer Setup, Aldus pegou um Navigator e, em três segundos, desembarcou em Control Panel, matou os traidores e despachou os corpos em dois e-mails: um para Flori e outro para Márcia. Em seguida, Aldus escondeu-se em Lotus até embarcar clandestinamente num Config Sys. Aterrissou em Clipboard e passou algum tempo vendendo Netdials na porta de uma Paintshop. Um dia, foi devidamente Scanneado e levado para um Template, onde Organized uma seita secreta dedicada a promover Print Previews.
Um domingo, resolveu abrir o Template para uma reunião extra. Um provedor ficou revoltado e gritou: Close! Pagemaker respondeu: Open! Desesperado, o provedor ordenou:
Exit! Mas Aldus sacou uma Pkunzip e decretou: Error, time out. Apavorado, o provedor trepou numa X-Tree Gold e ficou soltando Power tracks. Vitorioso, Aldus anotou tudo num Notebook e enviou um Winfax para Macintosh.
Quando Macintosh ia Select All para contar a novidade, um poderoso Intercom disfarçado em Zoom abriu um Drop Cap e replaced Eudora Light e Microsoft em pessoa. Mal se configuraram, Micro apontou um IBM com 64 megas de RAM e deletou Macintosh. Nunca se soube a verdade sobre o saved as DOS amantes.
Hoje, Eudora e Micro vivem felizes em Multimedia, ao lado do pequeno Corel Draw e ao Sound Blaster de Cake Walk, à custa do Thesauros acumulado nos anos de 92, 93, 94 e Windows 95. Finalmente, Aldus Pagemaker encontrou a paz conjugal ao lado de Delrina, que convenceu-o a morar num Modem recém-instalado.
""O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar..."
"O Guardador de Rebanhos".
In Poemas de Alberto Caeiro.
Fernando Pessoa.
Um homem maravilhoso, com um corpo escultural havia acabado de concluir
seus
estudos e não tinha dinheiro algum para pagar suas contas.
Foi então que decidiu se prostituir. Colocou na porta do seu apartamento um
cartaz com letras garrafais:
NA CAMA: R$ 100,00
NO SOFÁ : R$ 50,00
NO CHÃO: R$ 25,00
Uma velhinha que passava por lá no momento, parou e ficou olhando com
atenção aquele cartaz....Correu para a sua casa, pegou do maço de dinheiro
no fundo da sua gavetinha uma nota de R$ 100.00 e voltou em seguida ao
endereço do jovem prostituto.
Ao ver o jovem, mostrou a ele a nota novinha que levava na mão....
O rapaz pegou o dinheiro e disse:
- São R$ 100,00 vovó......Quer uma na caminha, né !?!?!?!?
Sorrindo, a velhinha responde:
- Não seja ingênuo, meu filho......Eu quero quatro vezes no Chão!!!!
... j'aimais moins votre visage de jeune femme
que celui que vous avez maintenant, dévasté. *
Marguerite Duras - L'Amant
Não chore, não junte os dedos em súplica, não se revolte:
é preciso envelhecer.
Colette
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Apesar de recurso batido, é assim mesmo que é a pele de Ângela: macia como a imagem dos pêssegos e
clara como porcelana clássica, quase imaculada. Ah!... esta pele... esta pele não sangra!, rompe o
silêncio e voeja o sussurro de Sérgio. Os olhos azuis de sua bem-amada seriam tristes não
brilhasse, um pouco abaixo, toda a largura de um sorriso feliz, malgrado a timidez. Como uma pedra
de jóia de compromisso, Ângela fulgura silenciosamente com a demonstração do prazer gerado pelo
amor que sempre recebera.
Os olhos também azuis de Sérgio refletem um céu acinzentado como calçadas úmidas de um fim de tarde
de inverno, à medida que ele murmura: Acredite-me, você continua a ser de todas as minhas ilusões,
aquela que valeu a pena, e o meu único amor. Nada e ninguém me traz mais música.
Como a esculpir um precioso camafeu, seus dedos pretensamente trêmulos, porque indômitos, e com uma
avidez inutilmente disfarçada de conclusivos exploradores, deslizam pela sedosidade dos cabelos de
Ângela, desenham-lhe os traços, percorrem-lhe o pescoço e chegam ao seu colo. Entretanto, talvez
arrependidos, recuam rapidamente de volta à boca. Com o retrocesso e com a jura de mais demora nas
carícias, Sérgio tenciona não só prolongar a sedução mas, também, conferir eternidade ao instante
que presume, embevecido, conter toda a mágica daquele amor. Em seu anseio, transformando em perene
o que sabe inexoravelmente efêmero tanto quanto o degelo das cataratas - elas acabam sempre por
conquistar e aprisionar o calor - Sérgio quer vida, quer mais, quer paixão. Ele repele, então, a
realidade que não quer admitir e persiste na necessidade que o domina de transformar pelas mãos -
afinal, não são elas que aram, semeiam e colhem os milagres? - a certeza de seu amor mais que
sincero, fiel. O seu olhar, que até agora acompanhara o passeio pelo rosto da amada, detém-se sobre
a cerimoniosa exposição do sorriso e ali demora-se, frágil, comovido, acetinado. Farta-se do que
sempre lhe dá fome e, à semelhança de uma radiante alvorada que, ao lavar as dobras do mundo, a
este entrega uma bela manhã, Sérgio, no enleio, retém-na como se prendesse entre as mãos um poema,
de uma vida inteira, toda a essência.
Inclinado discretamente para a frente como se caminhasse, atento, por entre brilhantes e neblinas,
ele retorna ao colo e enlaça-a com uma ternura capaz de consolar um gemido de virgem. Decidamente,
pensa, o amor é fruto do sol; caso contrário, como explicar-lhe o ardor? Abraçado a Ângela, Sérgio
lembra a lapela - horizonte vincado - de um envelope.
Mais uma vez, a experimentar o maravilhoso e pleno transporte que lhe oferece aquele amor, ele não
se dá conta, no entanto, do perigo da sua devoção qual uma criança, no escuro, não percebe a débil
sustentação que uma vela concede à chama. Como evitá-la, porém? Não fora e não é aquele amor o seu
abrigo e o seu impulso, a sua vitória e a sua rendição, tudo e quase toda a sua vida, lindamente? É
justamente por isso que Sérgio, ao lado dela, não quer ver nem mesmo as horas. Acima de qualquer
coisa, inclusive do tempo, este é o seu deleite. Não incorrerei neste erro, minha querida, torna a
falar, e recuso-me a contar o tempo do nosso amor do mesmo modo que não o comparo a coisa alguma.
Com um beijo sobre a ponta do indicador, impressão sutil, indelével, ali quase abstrata como um
devaneio, firma sobre os lábios de Ângela o seu terno pacto.
Áspera, de repente soa a campainha. Passado o susto, sem perceber que deixara cair ao chão o
envelope que contém a primeira carta que lhe escrevera Ângela, Sérgio desculpa-se, pede licença,
deixa a sala e dirige-se ao jardim de modo a alcançar o portão.
Boa tarde! O senhor ainda não mandou consertar a sua caixa postal? É sempre a mesma coisa a cada
vez que lhe trago a correspondência; além de precisar causar-lhe esse incômodo, perco um tempo
enorme, precioso. Por favor, mande consertá-la; está bem? Dito isto, o carteiro afasta-se.
Sem responder-lhe, Sérgio espera que o homem se distancie enquanto palavras que apenas escutara,
tais como perco e precioso, parecem ecoar em sua mente e só então caminha alguns passos de retorno
a sua casa. Uma vez lá dentro, senta-se; Sérgio senta-se no mesmo lugar em que estava, agora,
porém, alquebrado. A seus pés, misturados ao envelope com a primeira carta que Ângela
escrevera-lhe, algumas contas, tantas bobagens, diversos folhetos publicitários...
Bem mais tarde, sem dúvida muito tempo depois do anoitecer e ainda completamente refém de uma
sensação de total inutilidade, Sérgio abre lentamente o álbum de fotografias e, entre outras
imagens também já bastante amareladas, ali recoloca Ângela, protegida por quatro canaletas que,
malgrado o surrado aspecto, - podia-se ver - eram de antigo papel dourado, daquele folheado a ouro.
* ... eu gostava menos de vosso rosto de jovem mulher
que deste que tendes agora, devastado. Marguerite Duras - O Amante
VÍRUS ÉDIPO
O computador começa a comer sua própria placa-mãe.
VÍRUS VIAGRA
Transforma o disco flexível num disco rígido.
VÍRUS VIAGRA DE FARINHA
Transforma o disco rígido em um disco flexível.
VÍRUS CANDIDATO
Promete fazer tudo que você pedir, mas só depois das eleições.
VÍRUS CONGRESSO NACIONAL
Trava seu computador, a tela fica dividida em duas partes e cada uma delas informa que a culpa de nada funcionar é da outra parte.
VÍRUS CONGRESSO NACIONAL V.2.01
O seu computador só funciona e mesmo assim muito precariamente entre a terça-feira a tarde e a quinta-feira pela manhã. Nos demais dias da semana seu computador não funciona de jeito nenhum.
VÍRUS BAGAGEM-VASP
Os dados se extraviam e só vão aparecer a três mil quilômetros de distância uma semana depois. Ás vezes não aparecem de jeito nenhum.
VÍRUS MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO
Todos sabem de sua existência, mas ninguém sabe ao certo pra que serve ou o que ele faz. Na verdade, todos gostariam que ele fizesse alguma
coisa.
VÍRUS VIGILÂNCIA SANITÁRIA
Ataca, principalmente, computadores instalados em farmácias e hospitais do governo. Quando ele percebe que há algo errado, aí ele começa a
aparecer em todos os programas.Mas só por alguns dias. Depois tudo volta a ficar como antes: tudo falsificado.
VÍRUS POLITICAMENTE CORRETO
Sempre surge atribuindo a si próprio o nome de "microorganismo eletrônico".
VÍRUS ECONOMISTA DO GOVERNO
Nada funciona direito, mas o diagnóstico é sempre o mesmo: está tudo bem.
VÍRUS BUROCRACIA GOVERNAMENTAL
Divide o disco rígido em centenas de pequenas unidades, cada uma delas sem qualquer serventia. Cada uma dessas partes passa a informar que é a mais importante de todas e passa a não fazer mais nada de útil.
VÍRUS IBOPE
Infecta 72% do seu computador e 55% da parte infectada perderá 37,5% dos dados. (Nível de confiança de 1,75%.)
VÍRUS ITU
Ele garante que é o maior de todos os que já atacaram seu computador.
VÍRUS CONSUMISTA
O computador trava e só volta a funcionar depois que você comprar um HD com o dobro da capacidade, trocar a placa-mãe e comprar um monitor de 21 polegadas.
VÍRUS KERVOKIAN
Ajuda seu computador a travar para sempre e diz que isso é um ato de misericórdia.
VÍRUS PLANO DE SAÚDE
Faz um ligeiro teste no seu computador e manda uma conta mensal de R$ 1.500,00.
VÍRUS TAMPAX
Sempre está nos melhores lugares nos piores momentos. (Investigações realizadas descobriram que esse vírus foi criado por um inglês chamado Xarles ou Charles. Há controvérsias quanto ao nome correto).
VÍRUS FHC
Escreve um monte de abobrinhas na tela e depois pede para você esquecer tudo o que ele escreveu.
-- Recebi, concordo e repasso --
obs: não confirmei autoria
E A GENTE ACREDITOU
DANUZA LEÃO ( O ESTADO DE SÃO PAULO)
Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa
acreditar, ainda por cima, se achar culpada por ser burra, incompetente e
sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.
Uma das mentiras: que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as
funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma
carreira profissional brilhante.
É muito simples: não podemos.
Não podemos; quando você se dedica de corpo e alma seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite, quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega, para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante.
Aliás, nem a de companheira; quem vai conseguir trocar uma idéia sobre a
poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e passou no supermercado
rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o
jantar,e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma
escova?
Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - e os
maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida
al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de
fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro -, e com isso o casamento continuará tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos anos.
Ah, quanta mentira!
Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não a que faz de conta
que trabalha, mas a que trabalha mesmo. No começo, ela até tenta se vestir
no capricho,usar sapato de salto e estar sempre maquiada; mas cedo se
vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver
um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada,
e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison.
Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade. Mas ele também
envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se percebe a guerra já está perdida.
Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os charmes -
aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas
coisas: tempo e dinheiro.
Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais livres,
tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um
acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação,alongamento,
comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro.
É muito interessante a imagem da mulher que depois do expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente branca e fria -,retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour. Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos.
Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco - para decidir a
roupa que vão usar no trabalho; na luta contra o relógio o uniforme
termina sendo preto ou bege, para que tudo combine sem que um só minuto seja perdido.
Mas tem as outras, com filhos já crescidos: essas, quando chegam em casa,
têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o rendimento escolar está baixo.
E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem viver (segundo um
conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não se pode
viver: ar, água e pão).
Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade; impossível, eu diria.
-- Leu o meu poema de ontem (tá lá no blog)?
-- onde está?????
-- o segundo post
-- só que o poema de ontem não foi agora, não
faz tempo já, não?
-- fiz ontem e postei ontem, ué!
-- eu não leio nada aqui! e o pior é que o nome não é estarnho.
--> Depois de muito "não entender"...como podia aparecer na minha tela e não na dela... -- aimeudeus! eu achei que o nome fosse: "Poema de Ontem"!
--> Pois é... não é só a Fernanda Rena que tem umas amigas Pinks na vida... :))))
-- E aí, como foi de plantão?
-- Foi tranqüilo sim, sem problemas, mas mesmo sendo tranqüilo a gente nao para..
mas foi bom... gostoso...
-- Só vc mesmo pra achar plantão de domingo, com loucos, gostoso! :))))
--> Tem gosto pra tudo, né? :)))))
Eu sei q tô quietinha, mas fiquei chateada pq:
-- fiz um texto grandinho, contando história, e qdo fui selecionar pra trocar a fonte o texto sumiu;
-- o Rede Livre me deixou na mão;
-- tô controlando cada vez mais o tempo de conexão pq a Telemar não perdoa, cobra! Estranhamente, há 3 meses minha conta vem chegando a patamares nunca dantes alcançado, sem explicação plausível;
Além disso(s),
-- tô em preparativos de aniversários ( TRÊS - mãe e filha caçula hoje, dia 12 e filha mais velha dia 14) :)))
-- Também sou " assemelhada" (e não publicada!) --
Carta ao FHC - Mário Prata
Presidente:
Tenho certeza que se alguém lhe perguntar quem sou eu, o senhor responderá: o escritor. E, talvez - cutucado pela doce dona Ruth - até acrescente: pai do Antonio, também escritor.
Pois é, meu querido presidente: o senhor e a dona Ruth errariam. E eu estou aproveitando aqui o meu espaço no Estadão e os seus últimos meses aí no comando para te pedir um favor. Um favor de um brasileiro que o senhor conhece e até já leu uma vez ou outra. Um favor pessoal, quase íntimo.
O que eu quero, meu presidente, é que antes de o senhor deixar o governo, me reconheça como escritor. Não apenas eu. O Veríssimo, o Ubaldo, o Loyola, o Mateus, o Jorge Amado, o Machado de Assis, também estão na mesma situação minha. Como está o meu filho Antonio. Resumindo, meu caro: não existe a profissão de escritor no Brasil. Vou repetir: não existe.
Quando declaro meu Imposto de Renda (não existimos, mas pagamos), tenho de me dizer ou jornalista ou assemelhado. É duro, meu presidente, depois de 42 anos escrevendo (e vivendo disto) ainda seja apenas um elemento assemelhado. Não é nem semelhante, é assemelhado mesmo!
Minha profissão não existe, presidente. Não posso me aposentar... Não tenho um sindicato que me represente. Estou sujeito a contratos de direitos autorais absurdos que sempre beneficiam os editores e/ou contratantes.
Eles, todos com profissão definida.
Se me permite, senhor presidente, faça alguma coisa pela cultura neste seu fim de octaedro democrático. Sim, se o senhor olhar para trás, vai ver que deixará apenas as tais leis de incentivo fiscais que eu tenho certeza de que não lhe contaram direito como funcionam. Nunca tanto dinheiro ficou na mão de tão poucos (melhor ainda: poucas) "agentes culturais". Antes das tais "leis", as peças de teatro tinham oito apresentações por semana, lembra?
Agora têm três. Mas eu acho que nem o seu ministro da Cultura vai saber te explicar isso direito. Se quiser mais detalhes, converse com o embaixador de Portugal. Passei uns dias com ele lá em Lisboa e expus as minhas preocupações.
Voltando ao nosso problema, dos escritores. Dá um jeito aí, Fernando.
Oficializa a coisa. Nos dê uma profissão, com direito a uma cidadania digna.
Descola aí umas leis de incentivo pra gente (mas que não caia nas mãos das produtoras).
Não é nem mais por mim, que te peço isso publicamente. Mas é por uma nova geração de escritores que vem surgindo no País. Inclusive com o gigantesco apoio da sua esposa.
Não quero que o meu filho ouça a vida toda a ressalva: "Mas escritor é profissão? Tudo bem, mas, além de escrever, trabalha com o quê?"
Só para te dar um exemplo de um país onde o escritor é um profissional reconhecido pelas leis. E amparado por elas. Na Inglaterra, toda editora a publicar um livro, tem que mandar um exemplar para cada biblioteca pública
do país. Claro que os 40 mil exemplares são comprados pelo governo. Quem ganha? Em primeiro lugar o público. Ganha a editora, ganha o escritor. Ganha o País. Ganha a profissão.
O senhor poderá dizer que eu estou chorando de barriga cheia, que eu vendo bem. Tudo bem, mas se eu não escrever um livro por ano até o fim da minha vida, talvez eu não possa ajudar o meu filho que anda lá por Barcelona tentando ser escritor. Ou seja, morro de fome.
E para o Imposto de Renda, serei apenas mais um assemelhado morto, um CIC a menos. Mas esta crônica, presidente, não vai morrer, não. Vão-se os dedos, ficam os dígitos
Quebra essa pra gente, FHC. Mesmo porque você vai sair aí do Planalto Central e vai passar o resto da sua vida a escrever uns livros
E não vai querer que na sua biografia para o século seguinte alguém leia:
"Ex-presidente da República, no fim da vida tornou-se importante assemelhado."
P.S.: Por fim, senhor presidente, já havia escrito a crônica acima, já havia visto o senhor elogiando os nossos craques e o Felipão, logo após a maravilhosa conquista dos nossos jogadores lá na Ásia. Pois logo depois de ouvir suas palavras, recebo um telefonema da produção do Fantástico, da Rede Globo. Me diz o rapaz que eles estavam pedindo para cinco escritores brasileiros uma pequena crônica de 30 segundos para ir ao ar logo mais.
Fiquei envaidecido, presidente, de poder usar 30 segundos do Fantástico para cumprimentar aquela garotada toda. Só que - acrescentou o rapazinho - não tinha cachê. Se eu não faria o trabalho só pelo prestígio, senhor presidente. Será que esse rapazinho sabe quanto o Fantástico cobra por 30 segundos de comercial no domingo à noite? Será que ele sabe que eu trabalho há 42 anos, diariamente, para viver de... prestígio?
"Quem dentre nós convive com gatos sabe que o homem nunca domesticou o gato.
Os felinos sim, desenvolveram a espécie humana para que aprendesse pequenos truques como abrir latas ou escovar o pelo.
Não se sabe o que será da humanidade quando a nave mãe retornar à Terra para levar os gatos de volta ao seu planeta natal.
Talvez eles permitam que alguns de nós os acompanhemos, só para sua diversão.
(Barbarian)"
Isso está lá no site da Leila, além de vários poemas, histórias e fotos...de gatos, claro!
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
"Vamo brincá de fica bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê?"
(Trecho de CASCOS & CARÍCIAS - Hilda Hilst, à venda aqui )
O site Poema em Movimento foi atualizado hoje - 02/07/2002 - com dois poemas, em discreto flash :))),
de poetas convidados:
Lílian Maial e Ivy Wyler.
Para visitá-lo é só clicar aqui Coisas de dona Eliane Stoducto :)
EDUCAÇÃO PARA A MÍDIA
O fiofó da TV
Paulo José Cunha (*)
Já experimentou dar uma olhadinha pra saber o que está por trás da televisão? Isso mesmo, levante-se do sofá, dê a volta e vá espiar lá no "fiofó" dela (1). Achou? Pois é, você deve ter encontrado uma porção de fios, uns pininhos que servem pra ligar a antena, o videocassete, o DVD, o seu provedor de canais a cabo, essas coisas. Nada que você já não conheça, não é?
Desculpe a brincadeira, mas lhe pedi pra ir bisbilhotar lá no "velho quincas" (2) da dita cuja exatamente para que você comece a observar não apenas o que se esconde atrás da caixa, mas, sim, o que pode estar por trás do que a caixa transmite. O nome disso é educação para a mídia. Se quiser, pode chamar também de desconfiômetro. Os mais exagerados chamam também de produto da teoria da conspiração. Pois que seja.
Tenha o nome que tenha, o fundamental é jamais perder de vista que ninguém deve se entregar passivamente às mensagens da televisão. Quer conhecer o truque que eu uso em casa? É bem simplesinho. Toda vez que assisto televisão com minha filha de 10 anos por perto costumo discutir com o apresentador, com o repórter, com o animador de auditório. Questiono. Xingo. Concordo. Sugiro aspectos que podiam ter sido tratados. Aí pergunto à minha filha o que está achando. Quando ela simplesmente não me chama de chato ou de maluco por conversar com quem não me ouve, faz observações bastante pertinentes. Isso me alegra. Adoro quando ela chama de burro um apresentador de sucesso.
E aí percebo que estou ajudando a criar uma espécie de anteparo crítico, uma defesa básica que, no futuro, acredito que vá servir de alguma forma para que ela seja uma telespectadora questionadora. E isso inclui até o aprendizado mais fundamental e o mais difícil de todos: o de saber a hora em que é melhor desligar a tevê e ir cuidar de uma planta ou ler um livro. A rigor, nem sei se esse truque vai mesmo funcionar no futuro. Mas estou lutando com as armas de que disponho. Se alguém conhecer outras, me ensine. Acho que estou ajudando a formar uma telespectadora exigente, pavor dos programadores de televisão.
Esta exigência – ou desconfiança – passa também pelo questionamento de alguns fatos aparentemente normais. Quer ver um? Outro dia o Lula estranhou estar sendo convidado para debates na Globo, na Record, na Band, no SBT. "Eu às vezes fico pensando: será que é porque eu estou em primeiro lugar que tem tanto debate?"
Capaz que seja. Fui revirar papel velho e achei uma revista Imprensa de 1999, com a síntese dos debates do 6º Seminário Internacional de Telejornalismo. No encontro, o próprio Lula contava que Fernando Henrique, na eleição do ano anterior, fora se queixar a Roberto Marinho de que se a Globo continuasse a falar de seca, fome e desemprego ele terminaria perdendo a eleição. Franklin Martins, presente ao encontro, rebateu dizendo que não sentiu essa pressão. Pode ser. Mas só isso já serve para a gente pensar um pouquinho em como é que se constrói a tal de "agenda setting".
No mesmo seminário, o então editor-chefe do Jornal Nacional, Mário Marona, justificando a ausência quase completa de cobertura das eleições de 98, explicava: "Não gostamos de horário eleitoral. Nós consideramos isso autoritário, não aceitamos o horário eleitoral gratuito com a facilidade que os políticos gostam de usá-lo, os candidatos tinham duas horas por dia para dizer o que quisessem, nós chegamos à conclusão de que quem tem duas horas por dia está muito bem servido. Quem quiser, que veja".
Ora, de quatro anos pra cá o mundo mudou tanto assim para a Globo já não dar mais bola para o horário gratuito e abrir espaços generosos à cobertura da campanha? Ou será que não é hora de ir olhar lá no "fiofó" da tevê pra saber o que de fato anda acontecendo? Memória é pra se usar, senão enferruja: alguém se lembra que FHC não participou de debate algum na campanha da reeleição? Todo mundo sabe o por quê. Quem está à frente nas pesquisas não ganha nada com debate, só tem a perder. Como o desgaste pela ausência é menor, então é melhor não ir. Só pra lembrar: José Serra, candidato oficial do sistema, está mal das pernas nas pesquisas, e ameaça não decolar. Aí vale a pena até mesmo abrir espaço para Lula, desde que Serra também ganhe o seu, não é mesmo?
Olha, pode até ser que não seja nada disso. Mas que dá pra desconfiar, dá. E justiça seja feita: jamais a Globo e as demais emissoras cobriram tanto um processo eleitoral como agora. Ora, nada neste mundo é de graça. Os donos das emissoras fazem parte da elite empresarial comprometida com a manutenção do establishment, não é mesmo? Então, é sempre bom ligar o desconfiômetro. Jamais vou esquecer o dia do lançamento da nova moeda, o real. A ordem, na Globo, era falar dela em todos os telejornais. Falar muito. Até sobre o desenho daquele camponês (ou camponesa?) das moedas tinha-se que falar. Não se explicava por que, mas restava clara a existência de um acordo com a finalidade de solidificar a moeda que chegava. Agenda setting, lembra? Nome pomposo para o velho "falem mal, mas falem de mim".
Por tudo isso, embora o cheiro em grande parte das vezes não seja dos melhores, recomendo, como parte da educação para a mídia, mandar o pessoal ir dar uma espiadinha lá no "velho quincas" da tevê, pra saber o que, de fato, está acontecendo.
Notas
"Fiofó" – S.m. Bras. Pop. V. ânus (Dicionário Aurélio, 1986, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ);
"Velho Quincas" – Idem (Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês, Paulo José Cunha, 2001, Ed. Corisco, Teresina, PI).
(*) Jornalista, pesquisador, professor de Telejornalismo, diretor do Centro de Produção de Cinema e Televisão da Universidade de Brasília. Este artigo é parte do projeto acadêmico "Telejornalismo em Close", coluna semanal de análise de mídia distribuída por e-mail. Pedidos para
Poesia é subversão.
Poesia é transgressão e invenção.
Como uma criança molda massinhas no pré-escolar,
o poeta molda palavras,
brinca e solta um verso livre
ou configurado na forma livremente escolhida.
Pouco importa.
Lau Siqueira in Manifesto Contra o Fundamentalismo Literário
Sou capaz de não rir de algumas piadas do Casseta & Planeta,
mas... a César Maia...quem resiste????
Principalmente quando ele se acha no direito de acusar a outrem de
desequilibrado emocional... Aí é demais!
Ontem pela manhã, ao ligar o computador, adivinhem qual mensagem surge na tela???
SEU COMPUTADOR JÁ PODE SER DESLIGADO COM SEGURANÇA
Fazer o que? Obedecer, né? :)
Religuei e ele me pediu que entrasse em modo de segurança.
"Ok, ok, você venceu!"
Depois reinicio e volta tudo a ser como deveria ter sido!
PCs, tsc...tsc...
:))))
Um dia desses, fiz visita a uma amiga, coitada, dependente de celular. Logo que cheguei na casa dela, nos cumprimentamos e... lilililili... toca o celular. Ela me larga feito uma pateta no meio da sala e vai lá pro cantinho, e tome dez minutos, quinze, e eu ali, pateta, já tava me sentindo com a cara toda melada de pastel. Aí minha amiga me oferece: quer um suquinho? Eu, desolada, quero. Minha amiga vai lá dentro, sempre agarrada ao celular, não larga nem pra ir buscar o suco. E eu, na sala, pacientemente esperando... trililili... trililili... a musiquinha horrorosa todo instante lá dentro... e tome 10 minutos, quinze, uma vontade imensa de fumar, olho pros quatro cantos da sala e vejo numa parede aquela rodinha horrorosa, burra, antipática dizendo apague essa idéia em cima de um cigarrinho... eu penso: é muita petulância. Nilze, v. já pensou se eu andasse pra todo canto vestindo uma camiseta com aquela rodinha horrorosa dizendo pra meus interlocutores desligue essa idéia em cima de um celularzinho???? Pois é... você era uma das que iam me chamar de chata, burra, antipática e ia sofrer o que sofro quando vejo aquela logomarca de apague essa idéia na minha frente... Mas, voltando à minha amiga que fui visitar. Ela trouxe o suquinho, por sinal muito doce, horrível, e começamos a papear. Quase que enlouqueço. De instante em instante, uma musiquinha trilililililili....... trililililili.... Eu, muito educada, queria estrangular o celular, jogá-lo contra a parede mais próxima, mas, como dizia, eu, muito educada, me continha. Teve uma hora que ela me pergunta se eu gosto de Brahms, eu disse gosto, ela colocou o cd 3a Sinfonia e parece que a paz ia reinar. Menina!!! Quando Brahms tocava um movimento lindo, o mais bonito, o diabo do celular respondia com aquele movimento escabroso trilililili... eu já nem digo coitado do Brahms que já é morto... eu digo coitada de mim que ainda tô viva. E agora? Nem podíamos papear, em respeito a Brahms fazendo parceria com o celular, nem eu podia fumar, nem nada. Que sufoco!!! Terminou o cd, silêncio momentâneo. Mais breve que momentâneo. Porque o celular continuou com sua milésima nonagésima nona sinfonia com enésimos movimentos intermináveis... trilililili... trilililili... Minha amiga, muito neurótica, ainda tentou ensaiar algum comentário sobre a copa, a derrota da Coréia e a torcida coreana muito educada frente a derrota... deixei escapar o comentário que na televisão não vi ninguém atendendo celular durante os jogos da Coréia, nem mesmo derrotados, eles não buscaram "alívio", que povo educado, acrescentava eu... Minha amiga não gostou do meu comentário, e me disse que tinha algumas coisas pra fazer, me despachando assim, eu, novamente com cara de pateta, me sentindo com meu lindo rosto todo melado de pastel. Nos despedimos apressadamente. Nunca mais, meu Deus... nunca mais.
Detesto auto-piedade. Graças a Deus que esse vício de auto-piedade eu não tenho... Mas sofro tanto ... tanto... tanto... quando um papo é interrompido com aquela musiquinha... Fico com tanta pena de mim, por que eu, meu Deus? Coitada de mim... Eu não tenho, nem quero, nem uso o de ninguém, mas sempre acho um dependente de celular pra me aperrear e inda por cima me passar sermão... que desdita, essa minha...
Nilze, espero que você tenha gostado deste texto. Quantas vezes você atendeu o celular enquanto me lia? Se atendeu a três ou mais vezes, você está precisando seriamente de ajuda. Procure um grupo de mútua ajuda, desses de anônimos, tipo CAn, Celularistas Anônimos.
De ausências fio esta teia,
onde enredado me acho.
A meada trouxe do berço,
primeiro porto dos medos
onde antevi meu fracasso:
a mãe negou-me os seios
o pai negou-me os braços,
neguei-me aos meus anseios
e lancei-me embaraçado
nas sendas que permeiam
as ilusões, que me atam
numa racionalidade vácua
que me nega fé aos fados,
aos deuses, ao abstrato.
Os deuses me negam esteio.
Eu lhes nego meus atos.
MÓDULO I: Como escrever uma novela de Glória Perez
Pegue um assunto da área médica que esteja na moda: clonagem, transplante de coração, mãe de aluguel... Convide Victor Fasano, Raul Gazzolla, Eri Johnson e Guilherme Karam para o elenco.
Escreva diálogos sem sentido, crie personagens desajustados e esqueça todo e qualquer compromisso com a verossimilhança. O personagem masculino principal tem que ser interpretado por um péssimo ator (ou um ator que esteja em um péssimo momento). Não há explicação para este fenômeno, mas o fato é que as terríveis interpretações de Victor Fasano (Barriga de Aluguel), Ricardo Macchi (Explode Coração) e Murilo Benício (O Clone) ajudaram a levantar o ibope das novelas. Os personagens suburbanos são fundamentais, devem ser bastante explorados.
Mas também é imprescindível criar um núcleo que tenha costumes bem diferentes dos nossos, como muçulmanos ou ciganos. E uma mocinha deste núcleo tem que viver um amor impossível com um mocinho de fora do núcleo.
Do meio para o fim da novela, crie uma campanha social, tipo a busca por filhos desaparecidos ou a luta contra as drogas.
Tudo isso temperado com cenas longas, chatas, arrastadas e sem sentido.
MÓDULO II: Como escrever uma novela de Benedito Ruy Barbosa
Ma non há dificuldade, cazzo! Este é lo módulo ma facile.
Antonio Fagundes é inimigo de Raul Cortez. Ma é tutto buonna gente.
O bambino de uno ama a bambina d'outro. Totto mondo parla italiano com sotaque de portunhol. Os italiano tutto vem morar no Brasile. Os namoratti se separam ma depois de uno ani o ragazzo vê a ragazza na rua, já com uno bambino nos bracci. Depui de um tempo, o ragazzo descobre que o bambino é filho dele, ma non crê. Mai 10 anos se passam. O ragazzo (que já non é tão ragazzo) declara tutto su amore para la ragazza (que também já non é mai tão ragazza). No finale, os personagens principales fazem as pazes e todas las familias se juntam para dançar la tarantela.
MÓDULO III: Como escrever uma novela de Carlos Lombardi
Uhuuuuu, e aí parceiro? Você visa escrever uma novela do Lombardi?
Demorô, isso é mole pra gente. A parada é a seguinte, tu pega a Danielle Winits e bota os peitos dela bem a mostra. Daí tu chama os irmãozinho Marcelo Novaes, Humberto Martins e Marcelo Faria pra firmar. Os cara vão pegar geral e a mulherada vairodar de mão em mão.
Os camaradas não são mole não, se mexer com eles, é porrada em todo mundo. E se a polícia for atrás, os manos são sagaz, fogem durante 15 capítulos e ninguém encontra. Ah, não se preocupa com história não, o lance é botar mulher gostosa com vestido curto e homem bonito sem camisa, a audiência vai lá em cima, cara! E não esquece da Betty Lago, hein! O papel dela é certo: uma madame histérica. É tiro certo mano, podis crer.
MÓDULO IV: Como escrever uma novela de Aguinaldo Silva
Ô bichinho, invente uma cidade porreta, que fique lá no sertão nordestino. Tem que ter uma igrejinha, as carolas fuxiqueiras, um político danado de safado e um mistério daqueles de arrancar cabelo de careca. Eita, não pode esquecer do forasteiro, que vai botar a vidinha do povo da cidade de pernas pro ar. E pra aumentar esse furdunço, tem que ter um namorico bem quente. Mas o cabra vai ter que cortar um dobrado pra ficar com a moça, afinal de contas, rapadura é doce mas não é mole não. Claro que sempre tem uma mulher mal amada pra azedar o acarajé dos outros e um corno vingativo que vai atazanar a vida do casal. Mas no fim, fica tudo certo, até o político safado consegue um novo mandato.
Confesso: sou uma dependente celular . Sei que é muito chato ter que confessar isso, mas já não posso enganá-los. Espero que continuem gostando de mim do mesmo jeito.
Quando estou dando aula, o celular toca e eu digo: "desculpem esqueci de desligar, só vou atender porque penso que é urgente". (Que mentira mais deslavada, meu Deus) e aí falo baixinho: me liga depois que estou em grupo.
É isso: o maníaco celular passa a ser um fino mentiroso e rouba o próprio e combalido salário.
Adoro a musiquinha do meu celular (orient), que é sempre a mesma há anos.
Fico com raiva quando um outro toca a mesma música, que gente invejosa! E desesperada quando não a ouço e leio a mensagem: "chamada não atendida". Quem terá sido? Olho pro meu celular, angustiada, e pergunto: por que você deixou a pessoa lá, sem resposta, hem?
Durmo com ele debaixo da cama e assim que acordo dou-lhe logo o café da manhã: carrego-lhe a bateria.
Já pedi aos familiares que o coloquem junto a mim no meu caixão mortuário (espero que não seja tão cedo), pois quem sabe alguém não vai ficar insistindo? com certeza, pelo menos desta vez e para sempre, não vai dar
ocupado...
Será que no outro plano existe celular? Se não houver, não fico.
Se é uma droga, sou dependente, peço compreensão, mas não aceito o tratamento. Não agora, por favor. Você não imagina o que seja a abstenção celular. É terrível! Um dia fui assaltada, me puxaram a bolsa e lá se foi o bichinho. E se o assaltante tivesse falado "ou o celular ou a vida?" Sei não...
E quando ele passa meia hora sem tocar? É um sofrimento. Olho a bolsa de instante a instante. "Será que está com defeito, a bateria descarregou?"
Fico triste e deprimida. Se estou numa roda de amigos, todos notam. Os mais solidários, sabendo do meu vício, se afastam um pouco e vão até o telefone público. Meu celular toca. Nervosa, quase não acerto o botão C.
Era só pra dizer um oi (em seguida uma gargalhada, pois tem gente que não entende quem é dependente celular).
Um dia quase tomo uma overdose: uma amiga passou 40 minutos relatando um história triste e tive pena dela. "Não entre nessa, companheira! Desligue e vá para o fixo"!
Talvez um dia eu vá para um grupo de "celuláteros compulsivos". Quem sabe aí eu me cure.
Ele já está tocando a essa hora. Fico por aqui.
ps: Esqueci de dizer que já tenho um calo na orelha esquerda (só atendo de umlado. Os celuláteros têm a sua marca registrada. Cada doido com sua mania).
E que muitas vezes o confundo com o controle remoto e tento mudar de canal.
Ainda bem que eu não dei
Ainda bem que não rolou
Ainda não foi dessa vez
Que teu jogo funcionou
Imagina se ontem eu tivesse dado
Acreditado no seu tipo de apaixonado
E hoje você mal falou comigo
Mandou um oi meio de amigo
Como se nada tivesse rolado
Imagina se eu tivesse liberado...
Não adiantou seu jeito meloso
Implorando prá eu ir te ver
Teatro de primeira, se achando o gostoso
Crente que eu ia dar prá você
E você ia sumir de qualquer jeito, sem motivo
E eu ia achar que o problema era comigo
Que bom que você sumiu antes de se revelar
É ótimo não ficar esperando o telefone tocar
Agora, cê que fique na vontade
Nem adianta insistir
E quando seus amigos perguntarem
Encara e diz: Não, não comi!
Ainda bem que eu não dei
Ainda bem que não rolou
Se situa, meu bem
Joga limpo que eu dou
Ainda bem que eu dei
Sem fazer tipo, sem fazer jogo
Assim é muito mais gostoso
Tava tudo mesmo pegando fogo
Dei querendo dar
Dei sem encanar
Dei sem me preocupar
Se amanhã cê vai ligar
Pode sumir, pode espalhar, pode desaparecer
Foi mesmo uma delícia dar pra você
Se quiser de novo, fica a vontade
Não tenho medo de saudade
Dei na maior fé, na paz
Foi SIM, e não TALVEZ
E se você ainda quiser mais
Pega a senha, entra na fila
e espera sua vez
Ainda bem que eu dei
Tudo lindo, tudo zen
Só uma perguntinha:
Foi bom pra você também?
Que lixo, que desperdício
Que triste, que meretrício
Que sóio, que papelão
Que merda, que situação...
O que parecia ser tão bom
Foi sem cor, sem gosto, sem som
Quero esquecer que aconteceu
Não, acho que não era eu
Não sei como eu fui cair na sua
Nesse seu papo de ir ver a lua
Devia estar a fim de ser enganada
Bêbada, carente, triste, surtada
E você se aproveitou desse momento
Fingiu-se de amigo, solidário no sentimento
Mas no fundo sabia bem o que queria
Como é que eu fui cair nessa baixaria?
Chega, vê se me esquece, desaparece
Finge que não me conhece
Foi ruim, ridículo, sem sal
Vazio, patético, foi mal
Que merda que eu dei
Já esqueci, apaguei
Tchau, querido, tenho mais o que fazer
Melhor comer sorvete na frente da TV...