Vôos Blog(u)éticos de Ivy


"e falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, uma frase... E a vida dói quanto mais se goza, e quanto mais se inventa..." Fernando Pessoa

domingo, março 2

gente:
to nesse endereço aqui, porque ha meses o blogger não me permite mexer no template.
Vejo voces por la!



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domingo, fevereiro 9

-- contra a guerra (outro)--
Contra a Guerra

Por JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2003


Vi os soldados americanos partir para a guerra - lembro-me de um deles, desfeito em lágrimas, a lamentar não poder assistir ao aniversário do filho - e ainda assim mantive a esperança de que o bom senso venceria a estupidez; só agora, ao ver os jornalistas partir para a guerra, me convenço do contrário. Quando atrás dos soldados vão também jornalistas é porque o espectáculo já tem data marcada para a estreia. Nos tempos que correm (e como correm!) não existe guerra alguma, e portanto também não existem vitórias nem vencedores, se a imprensa os não noticiar. Os soldados americanos não receiam pela vida, não têm razão para isso, choram porque vão ficar afastados da família durante alguns dias. O sangue, nestas novas guerras americanas, é sempre dos outros - dos pobres. Nos Estados Unidos é mais seguro ser soldado do que cidadão. Um cidadão pode ser vítima de um atentado terrorista. Um soldado, no máximo, perde o aniversário do filho. A uma guerra na qual já se sabe à partida que apenas um dos lados irá sofrer baixas nem se pode com justiça chamar guerra: é um massacre premeditado.

Não acredito que alguém seja capaz de defender George Bush, e a sua retórica de cowboy serôdio, sem se sentir, lá bem no íntimo, um pouco ridículo. Vejo-o na televisão, com aquele ar sempre um pouco atordoado de quem cinco minutos antes se tentou matar com um biscoito, e chego a sentir orgulho em José Eduardo dos Santos. Uma das virtudes de Bush (até nos maiores erros há virtudes) é a de ter permitido a todos os povos mal governados do mundo o consolo de se poderem comparar, com óbvia, embora discutível, vantagem, à única grande potência:

"Sim, o nosso presidente pode não parecer mais inteligente do que um pargo, mas pelo menos não se parece com um pargo."

Etc., há inúmeras variantes.

Acompanho com simpatia as manifestações contra a guerra que se multiplicam pelos cinco continentes. Inquieta-me, porém, a tentação, por parte de alguns dos manifestantes, de apoiar o Iraque. Esta é, aliás, uma armadilha ingénua na qual os conselheiros de George Bush gostariam de aprisionar os seus detractores. Esperam que saltemos da frigideira para o lume louvando alegremente as delícias de morrer queimado.

Os Estados Unidos foram durante décadas uma referência moral para a maior parte da humanidade, o país da liberdade, da democracia, da justiça racial, e conseguiram criar e manter tal imagem mesmo enquanto assassinavam as populações indígenas, mesmo enquanto perseguiam intelectuais e linchavam negros, mesmo enquanto lançavam bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki, mesmo enquanto apoiavam Pinochet, Mobuto, Suharto e Saddam Hussein, mesmo enquanto enforcavam ou electrocutavam prisioneiros, mesmo enquanto fabricavam e comercializavam as minas que matam e mutilam, e continuarão a matar e a mutilar durante as próximas décadas, as crianças inocentes de África. Esse tempo acabou. O encanto quebrou-se. A Europa moderna, pós-colonial, multicultural, livre, próspera, unida e democrática, ocupa hoje tal lugar. Para muitos cidadãos do chamado Terceiro Mundo, envolvidos no combate pela democratização e pelo desenvolvimento dos seus países, o mais importante já não é saber o que os americanos irão ou não fazer amanhã, que outro país, depois do Iraque, irão ou não conquistar, o mais importante é saber se os europeus conseguirão sacudir de vez a tutela americana e assumir por inteiro o seu novo papel.

Espero que os actuais manifestantes não percam o fôlego, e sejam capazes de resistir para além do Iraque, criando um movimento muito mais amplo, mais maduro, contra a Guerra, todas as guerras, por uma civilização que olhe para os exércitos com o mesmo horror e a mesma incredulidade ("como foi possível a existência de tais instituições?") com que hoje olhamos para a escravatura. Agora é o Iraque, a seguir o Irão ou a Arábia Saudita, amanhã poderá ser a Venezuela, se a exportação do petróleo para os Estados Unidos estiver em causa, e finalmente o Brasil, caso Luís Inácio Lula da Silva se atreva a pisar o risco. Não há porque parar. A menos que alguém os faça parar.




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sábado, fevereiro 8

-- tsc tsc --

— Se eles (os retirantes) continuarem vindo para cá, vamos ter de continuar andando em carros blindados — disse o ministro, acrescentando que é necessário gerar desenvolvimento no semi-árido.

Ministro tentou se explicar após o discurso

Após o discurso, Graziano tentou se explicar:

— O que eu quis dizer é que se não criarmos oportunidades de trabalho lá, dificilmente teremos redução de criminalidade aqui. Ou vamos até a fonte ou estaremos combatendo o efeito — afirmou ele.





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quinta-feira, fevereiro 6

-- Movimento poético contra a guerra --
(recebi e repasso)

Poetas do mundo se unem contra guerra do Iraque

Por Robert Melnbardis

MONTREAL (Reuters) - Um grupo de mais de cem poetas de língua inglesa
que se reuniu para produzir um livro eletrônico de poemas contra a guerra no
Iraque espera expandir o projeto, disse seu editor.

Todd Swift, poeta de 36 anos de Montreal, editou os poemas enviados
por autores de todo o mundo durante uma semana. Os poemas foram publicados
em uma antologia eletrônica que foi lançada no mesmo dia do relatório de
Hans Blix, o chefe dos inspetores de armas da ONU.

Com o título "Cem Poetas Contra a Guerra", o livro eletrônico de 95
páginas pode ser baixado de graça pela internet em www.nthposition.com ,
uma revista online de Londres.

Swift estimula que todos coloquem links, compartilhem, troquem e
imprimam a coleção. As instruções de download incluem dicas de como
transformar a pilha de papéis em um livro, dobrando e grampeando.

Segundo Swift, alguns grandes nomes da literatura mundial fazem parte
da segunda antologia, que será lançada na segunda-feira.

Ele disse que a criação de um livro de poemas contra o conflito armado
veio do desejo de "fazer algo mais dinâmico" do que um simples
abaixo-assinado.

Depois de ativar sua rede de poetas, ele recebeu 400 poemas por e-mail
e selecionou e editou os cem melhores para o livro.

Swift disse que teve inspiração para o projeto de poetas
norte-americanos como Allen Ginsberg e Robert Lowell, que fizeram oposição à
Guerra do Vietnã nos anos 1960.

"Não acho que um livro de poesia possa parar a guerra", disse ele.
"Mas espero que esse tipo de atividade cultural entre na mídia convencional
e estimule as pessoas a serem corajosas com suas opiniões -- e que isso
tenha um efeito crescente."




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sábado, fevereiro 1

Conseqüências

um tempo
dezencantos
cem sonhos

em silêncio

convalescendo.

Convivendo.

Ivy
31/1/03




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segunda-feira, janeiro 20

AnúnCIO desCLASSIFICADO

PRECISA-SE

De uma paixão que não dure
(mais que um dia),
ou que se consuma
(em uma só noite).

No dia seguinte,
Há o clarear
(com a lucidez das manhãs).

PROCURA-SE

Um amor que muito faça
(e pouco permaneça).
Precisa fazer sofrer,
(depois de todas as delícias).

Há de deixar saudade,
pranto, lamúrias
dores e súplicas.

Precisa-se de uma paixão,
procura-se um lamento,
uma dor lancinante
(mas efêmera)

Só para se criar um poema.

Ivy
20/jan/2003








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segunda-feira, janeiro 6

-- Coluna do Veríssimo --

achei bem interessante essa lembrança do veríssimo, na coluna de hoje

Bendita bagunça


Além da esperança vencer o medo, a emoção venceu a prudência e a bagunça venceu o protocolo na posse do Lula. Bendita bagunça. Foi inaugurado o que promete ser o mais informal dos governos da República, mas o descaso com o protocolo promete outras coisas além de cenas simpáticas e seguranças aflitos.


O protocolo oficial existe não apenas para garantir a tal “liturgia do cargo” mas para que todos saibam onde ficar e o que fazer e as cerimônias não virem vale-tudo, mas “protocolo” também pode ser sinônimo de convenções arcaicas e costumes inexplicavelmente imexíveis.

A primeira “quebra” do protocolo foi a própria eleição do Lula, uma possibilidade que a nossa etiqueta política não permitia, ou sequer concebia. Assim como não ficava bem alguém como o Lula tomando um vinho caro, não ficava bem alguém como o Lula, que nem doutor é, na Presidência. Antes de vencer o medo, a esperança teve que vencer dezessete preconceitos. Estabelecidos os precedentes, na eleição e na posse, está aberto o caminho para outras quebras de protocolo. Para a bagunça que interessa.

Faz parte do nosso protocolo não escrito que os discursos inaugurais exagerem na retórica das boas intenções. Não canso de contar que uma vez vi o Millôr Fernandes esperar que diminuíssem os aplausos entusiasmados que se seguiram à sua leitura de uma magnífica defesa da democracia e dos direitos humanos para informar que acabara de ler o discurso de posse, na Presidência, do general Médici. Mesmo nos discursos inaugurais em que faltava sinceridade, sobrava estilo e brilho, e não há caso de um que não tenha dito — da forma esperada, protocolar — que combateria a miséria e promoveria a justiça social.

O discurso de Lula bagunçou esta tradição. Disse simplesmente, sem literatura, que não pode haver fome no Brasil. Que não está certo, que não dá, que tem que acabar. A fome é o chão, o básico que nenhuma retórica desconversa e nenhum brilho ofusca. Falar em terminar com a fome assim sem estilo, num discurso inaugural, é pieguice, é ingenuidade, é simplificação grosseira — enfim, não fica bem. Uma das tantas perversões que a elite brasileira institucionalizou para se proteger é esse controle das regras, do que pode e não pode, do que fica ou não fica bem. Se for fiel à sua própria anti-retórica, Lula terá quebrado um dos protocolos mais antigos do Estado brasileiro — o que regulamenta o descumprimento das promessas de campanha, desde que feito com bom gosto.



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domingo, janeiro 5

-- Coincidências --

Eu estava com um trabalho já fechado, pra ser entregue amanhã, segunda.
Era de Lingüística, sobre Variações.
Aí, baixo msgs de uma lista, q só costumo ver nos fins de semana.
Encontro um texto q se encaixa direitinho como exemplo de Variação Dialetal.
Não é o máximo? :))))))))))))))
O texto é esse aí:


Língua Brasileira
Kledir Ramil


"Outro dia encontrei um mandinho, um guri desses que andam pela rua sem carpim, de bragueta aberta, soltando pandorga. Eu vinha de bici, descendo a lomba pra ir na lancheria comprar umas bergamotas...".

Se você não é gaúcho, provavelmente não entendeu nada do que eu estava contando. No Rio Grande do Sul a gente chama tangerina de bergamota e carne moída de guisado. Bidê, que a maioria usa no banheiro é o nome que nós demos para a mesinha de cabeceira, que em alguns lugares chamam de criado
mudo. E por aí vai. A privada nós chamamos de patente. Dizem que começou com a chegada dos primeiros vasos sanitários de louça, vindos da Inglaterra, que traziam impresso "Patent" número tal. E pegou.

Ir aos pés no RS é fazer cocô. Eu acho tri elegante, poético. "Com licença, vou aos pés e já volto". Uma amiga carioca foi passear em Porto Alegre e precisou de um médico. A primeira coisa que ele perguntou foi: "Vais aos pés normalmente, minha filha?" Ela na mesma hora levantou e começou a fazer flexão.

O Brasil tem dessas coisas, é um país maravilhoso, com o português como língua oficial, mas cheio de dialetos diferentes.

No Rio é "e aí merrmão! CB, sangue bom! Vai rolá umach paradach". Até eu entender que merrmão era "meu irmão" levou um tempo. Em São Paulo eles botam um "i" a mais na frente do "n": "ôrra meu! Tô por deintro, mas não tô inteindeindo". E no interiorrr falam um erre todo enrolado: "a Ferrrnanda
marrrcô a porrrteira". Dá um nó na língua. A vantagem é que a pronúncia deles no inglês é ótima.

Em Mins, quer dizer em Minas, eles engolem letras e falam Belzonte, Nossenhora e qualquer objeto é chamado de trem. Lembrei daquela história do mineirinho na plataforma da estação. Quando ouviu um apito, falou apontando
as malas: "Muié, pega os trem que o bicho tá vindo".

No nordeste é tudo meu rei, bichinho, ó xente. Pai é painho, mãe é mainha, vó é vóinha. E pra você conseguir falar com o acento típico da região, é só cantar sempre a primeira sílaba de qualquer palavra numa nota mais aguda que as seguintes.

Mas o lugar mais curioso de todos é Florianópolis. Lagartixa eles chamam de crocodilinho de parede. Helicóptero é avião de rosca (que deve ser lido rôchca). Carne moída é boi ralado. Se você quiser um pastel de carne precisa pedir um envelope de boi ralado. Telefone público, o popular orelhão, é conhecido como poste de prosa e a ficha de telefone é pastilha de
prosa. Ovo eles chamam de semente de galinha e motel é lugar de instantinho. E tem mais..."BRIÓI" é como chamam a BR-101. E a pronúncia correta de d+e é "di" mesmo e não "dji" como a gente fala. Também t+i é "ti" e não "tchi". Dizem que vem da colonização açoriana, mas eu acho que essa pronúncia vem sendo potencializada pela influência do castelhano, com a
invasão de argentinos no litoral catarinense sempre que chega o verão. Alguma coisa eles devem deixar, além do lixo na praia.

Em Porto Alegre, uma empresa tentou lançar um serviço de entrega a domicílio de comida chinesa, o Tele China. Só que um dos significados de china no RS é prostituta. Claro que não deu certo. Imagina a confusão, um cara pede uma loira às 2 da manhã e recebe a sugestão de Frango Xadrez com Rolinho
Primavera. Banana Caramelada! O que é que o cara vai querer com uma Banana Caramelada no meio da madrugada? Tudo isso é muito engraçado, mas às vezes dá problema sério.

A primeira vez que minha mãe foi ao Rio de Janeiro entrou numa padaria e pediu: "Me dá um cacete!!!". Cacete pra nós é pão francês. O padeiro caiu na risada, chamou-a num canto e tentou contornar a situação. Ela ingenuamente emendou: "Mas o senhor não tem pelo menos um cacetinho?"

Kledir Ramil é compositor e integrante da dupla Kleyton e Kledir



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sábado, janeiro 4

-- Eu recomendo uma visita :)))

Poemas de Alceu







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quarta-feira, janeiro 1

-- Coisas da Posse --

e viram o lance do cavalo?
acho que era o espirito do Figueiredo se revirando no túmulo :))))



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